Doar-se, Doer-se.

Anna Carolina, 18, Capixaba.  

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Já que eu não tenho um amor

vou estudar. Beijo n’ocês.

Permanecer

Mesmo quando os motivos não colaborarem.

“Eu desenhei teus olhos só para fingir que eles me pertenciam. E para, quem sabe, devolver o brilho que se perdeu com o findar da noite. Ainda sinto teus dedos a pressionarem os meus… Nada, além disso. Tu não deixaste nenhum vestígio; não há nada que lhe torne tangível. Vazio por natureza, era o que tu dizias. E eu me esvaziei ao tentar te preencher de alguma maneira. Indiferente, egoísta, eu diria. Diria e nada disse. Nenhuma palavra. Eu morria enquanto teus lábios se uniam aos meus, eu chorava sem derramar uma só lágrima. Meu rosto ardia, prendia os soluços num engasgo e me afogava nos teus braços.
Você me olhava sem jamais me ver. Dava as costas pros meus silêncios e dizia voltar quando desse. “Você já me amou em pelo menos uma das vezes em que falou isso?” era o que eu queria dizer sempre que você saia por aquela porta. Mas novamente, nenhuma palavra. Eu não sei quando tu vens, nem se virá. Tu diz que o mistério é a única coisa que faz manter uma mulher. Dor também, você esqueceu de completar. Me despedaço enquanto teus olhos desenhados me sorriem no papel. Você sabe, eu sei que sabe. O LP gira; a voz desconhecida soa pelo vazio do apartamento e eu tão só quanto o próprio tempo: tudo vê, de tudo participa e ainda assim, jamais será protagonista.
Amor. Uns nascem para vivê-lo e outros para serem platéia. Eu continuo aplaudindo sentada no banco dos fundos.”

— Lilian Alves, Olhos de papel.

(Source: iniludivel, via iniludivel)

“Também te vi chorar… Também sofreste
A dor de ver secarem pela estrada
As fontes da esperança… E não cedeste!
Antes, pobre, despida e trespassada,
Soubeste dar à vida, em que morreste,
Tudo - à vida, que nunca te deu nada!”

— Manuel Bandeira.

(Source: iniludivel)

Mas para quê
Tanto sofrimento,
Se nos céus há o lento
Deslizar da noite?

Mas para quê
Tanto sofrimento,
Se lá fora o vento
É um canto na noite?

Mas para quê
Tanto sofrimento,
Se agora, ao relento,
Cheira a flor da noite?

Mas para quê
Tanto sofrimento,
Se o meu pensamento
É livre na noite?

— Manuel Bandeira, “Temas e Voltas”.

(Source: iniludivel)

“Viver bem de mansinho
Namorar devagarinho
Acordar só com beijinho
E ainda cantar pra ela.”

“Aos olhos que, por querer, se fecham. Às bocas que se imploram com urgência. A todo amor guardado, coagido, interrompido. Mais um gole de insensatez. - Saúde!”

— Cordialmente

“Vermelho. A boca, os seios, tuas coxas e paixão. Da tinta das paredes pintadas. Do sangue das palavras cortando a garganta. Ao meu desejo rogado de ensaios sobre coisas costumeiras, coisas de tal e etecetera. Mas preciso entender antes de mandar tudo para o inferno, preciso decifrar teu código braile e explorar todo o teu céu… Vermelho. Vermelho da língua que diz, das unhas que me arranham a pele, da roupa que as minhas mãos descartam com prazer. Vermelho da boca traiçoeira que exala veneno em mim. Vermelho. Ou red. Ou rojo. Ou rouge. Ou vermelho outra vez. Do cabelo despenteado, do ápice do peito, do gozo de alegrias em reticências de dois corpos em uma cama. Vermelho. Só vermelho… Do não amor de amantes. Azul.”

raquel p.

(Source: tresvariando, via a-r-o-m-a-s)

Mas se for,
vá de uma vez.
Leva teus lindos olhos, e
não me olhe com tristeza
para eu não perceber que é um adeus.

Mas se for,
deixa meu coração
em cima da cama,
que é pra ele aprender hoje
e superar amanhã.

Mas se for,
e se algum dia
- quem sabe!?-
necessitares voltar,
sabe onde fica as chaves escondidas,
é só abrir e…
Entrar.

— Terrorismo Poético

(Source: terrorismo-poetico, via terrorismo-poetico)

“O salão era nosso e as paredes eram de solidão.
Dançamos um pouco e nos abraçamos
Solidão é assim: a gente abraça e vai dançar.
Solidão a gente chora e depois dá o braço a torcer.
Solidão a gente… lamenta para depois deixar ser.
É a valsa que jamais para de tocar;
a dança que machuca mais do que somente pés.
O salão era nosso.
A solidão também.”

— Camila Costa.

(Source: camilacosta)

Dizer algo bonito sobre o céu, te comparar ao mar. Fazer metáforas com montanhas e terremotos ou qualquer coisa que seja grande e devastadora. Qualquer coisa que seja maior e tenha mais significado do que eu. Porque eu não posso ser o céu, o rio ou mar. Mas você pode, você definitivamente é maior e inalcansável.

Também preciso fazer minhas construções, encostar minha escada na parede, subir os degraus contando os passos. Do contrario, como é que eu vou ter coragem ou altura pra olhar dentro dos teus olhos? 

Então a resposta é não. Continuo com esse trabalho sujo e deplorável de escrever tudo que o resto do mundo tem vergonha de admitir. Eu assumo os calos, ergo um patamar do chão com a dor de um domingo à noite, tenho as roupas cheia de tintas e sangue. E tá tudo bem. 

Desde que eu consiga enrolar as pernas em tua cintura ou fazer minha boca caber dentro da tua, tá tudo bem. A sina, a bad trip lúcida, o vazio, a distância.

A gente dá um jeito. O resto é bobagem.

Ana L. Alves in Na ponta dos pés. Minhas metáforas também tem complexo de altura

(Source: thesameday)

“Quem sou eu para falar de amor
Se de tanto me entregar nunca fui minha
O amor jamais foi meu
O amor me conheceu
Se esfregou na minha vida
E me deixou assim.”

— Chico Buarque

(Source: congestus, via memorias-escritas)